É muito comum, para certos profissionais - e aspirantes - a comparação de que, ao adentrar um consultório médico não se questione o veredito do doutor, e nem palpite sobre o que há de ser feito, mas que, quando se trata de arte, todo mundo gosta de enfiar o dedo.
Seja o assunto música, arte plástica ou até mesmo na área do marketing, o público geral sempre sente que pode contribuir com uma opinião pessoal. Mas será que, essa opinião leiga é sempre justa com o profissional artista, que estudou e percorreu um longo caminho até a apresentação de seu trabalho?
Sendo a culinária tão presente no nosso dia a dia, esquecemos que agastronomia em si é uma arte. Além de centenas de anos de história e tradições da área que nos trouxeram à onde estamos hoje, inúmeros profissionais buscam cada vez mais conhecimento na cozinha. Existem muitos processos por trás de cada prato que chega à nossa mesa. Muito antes da nossa chegada ao restaurante para ler o menu, alguém teve que, criteriosamente, elaborar um cardápio. Isso inclui estudos sobre os ingredientes, processos, pensar na sua execução - e talvez até mesmo inúmeras tentativas e erros - para finalmente chegar na apresentação.
Como um entusiasta da área, gosto sempre de me basear em uma frase: “É importante conhecer as regras, para aprender à quebrá-las”. Quando aprendemos os princípios da cozinha e entende-se os processos e o porquê deles existirem,ganhamos a liberdade de desenvolver um gosto pessoal.
Como em qualquer outra arte, o imprescindível é agradar a quem a vê - ou a come. Portanto, apesar de entender que um macarrão al dente é sofisticado e, entre aspas, correto, temos a liberdade de comê-lo um pouco mais cozido. Preferências.
Mas cabe a nós, também, saber diferenciar o que são nossas preferências do que é, de fato, a arte culinária de alguém. Saber que nossos gostos podem não ser a coisa mais certa do mundo. Portanto, cabe à nós também respeitar o processo de cada profissional. Entender que, aquela pessoa trabalha com isso e que com certeza tem mais conhecimento sobre a área do que nós, meros leigos. Respeitar que o resultado final do nosso prato é uma obra de arte e que alguém entende aquilo como sua obra prima.




