O termo rock alternativo surgiu por volta do fim dos anos 70, no intuito de categorizar a sonoridade das bandas que fugiam da estética considerada clássica (ou padrão) do rock, construída historicamente por músicos como os Stones, Led Zeppelin, Beatles, e outros mais, tidos como pioneiros do estilo. Alem da sonoridade distinta, as bandas alternativas se valiam de métodos diferentes de produção, divulgação e distribuição de seus trabalhos, normalmente indo contra as regras da indústria musical da época.
As bandas denominadas alternativas tinham como principal objetivo preservar sua sonoridade e sua identidade musical, não se rendendo a tendências, se atendo a formatos prontos ou modificando seu som para que se tornassem mais comerciais. Algumas bandas, ainda, traziam em sua música militância sobre assuntos políticos, sociais e econômicos, fator que dificultava ainda mais a popularização dos grupos. Todavia, já que a ideia principal era manter a essência de suas músicas, os artistas alternativos não se preocupavam propriamente com a vulgarização de suas marcas, permanecendo na cena underground por muito tempo.
Uma vez que a diversidade sonora ia se tornando expressivamente alta, vários gêneros foram surgindo: o Shoegazing, o Lo-fi, o Post-Rock. Assim, no início da década de 90, o Grunge (mais especificamente nos EUA) e o Britpop (na Grã Bretanha) ganharam grande visibilidade comercial com bandas como Nirvana, Pearl Jam, Oasis, Blur. Essas bandas acabaram por popularizar seus respectivos gêneros, que até então eram apreciados por seletos grupos. Consequentemente, levaram público às demais categorias tidas como “alternativas”, antes negligenciadas pela indústria musical.
Com o passar do tempo é inegável o fato de que, sem a popularização desses gêneros, a música perderia muito, visto que o reconhecimento não chegaria, ou chegaria tardiamente, a bandas como os Smiths, New Order, R.E.M., e tantas outras que contribuíram para o amadurecimento da música mundial como um todo. E com a maior veiculação dos gêneros derivados do alt-rock, cada um foi devidamente reconhecido por seu respectivo grupo.Logicamente uns se tornaram mais populares que outros, mas seria (e é) um ato de preguiça tornar a classificar bandas na categoria "rock alternativo”.
Esses gêneros que se derivaram do verdadeiro rock alternativo construíram sonoridades próprias, com características singulares, expondo suas formas e personalidades musicais distintas. Qualquer banda da atualidade categorizada como alt-rock pode ser facilmente enquadrada em outro gênero mais específico e mais correto. Vários sites enquadram bandas como Imagine Dragons e Coldplay (pra citar apenas algumas) no rol do alternativo, o que não passa de uma classificação preguiçosa e extremamente errônea.
Todo e qualquer gênero musical carrega junto ao seu nome um movimento cultural e características particulares de um grupo específico. Dessa maneira, se as classificações são imprecisas, as características se misturam, descaracterizando o gênero (o inverso do pretendido). Consequentemente descaracterizam os grupos envolvidos, banalizando toda a construção histórica e de identidade dos respectivos agrupamentos.
O uso correto da classificação de gêneros musicais é uma forma de demonstrar respeito ao trabalho, a história e à identidade de cada banda e artista, mas ainda vai além. É uma forma de respeito aos grupos que se fazem pertencentes aos movimento atrelados a cada um desses gêneros. Por uma perspectiva grosseira, poderiam até ser próximos em um aspecto ou outro. Mas o que traça suas verdadeiras personalidades, são suas particularidades.





